Vale lembrar

•Novembro 6, 2009 • 1 Comentário

Esqueci de umas coisas…

Recebi esses dias  CD e DVD de um grupo de samba chamado Casuarina. Vale MUITO a pena.

Ouçam também  o novo CD da Ana Cañas, o da Tiê e o da Maria Gadú. Todos são muito bons. Outro imperdível é o novo do Ney Matogrosso. Não lembro o nome, mas já está no Terra Sonora.

tchau pra quem passa aqui (nem eu passo…)

bjs

 

Escrever…

•Novembro 6, 2009 • Deixe um comentário

Já faz tempo que estou ensaiando para escrever algo aqui, mas sempre me dá um sono danado…

Bom, hoje não é o dia.

Amanhã eu volto.

Todo mundo espera alguma coisa…

•Agosto 9, 2009 • 3 Comentários

Por que as pessoas nunca acreditam quando você diz que não quer sair num sábado à noite?

 

que saco.

Twitter

•Julho 25, 2009 • 1 Comentário

Sim, eu aderi à nova onda da internet.

Se quiserem me seguir: www.twitter.com/osolhosdalua

 

beijos para quem ainda passa neste blog abandonado, com cheiro de mofo.

Enraizado

•Julho 25, 2009 • 2 Comentários

Na noite fria, chuvosa e cinzenta de ontem, precisei sair de casa para visitar uma amiga. Quando eu estava voltando de lá, peguei o ônibus, que estava vazio, e sentei em um banco perto do cobrador.

O cara, com pouco mais de 40 anos, ficou olhando para mim fixamente. Quando eu o encarava para tentar descobrir o motivo de tanta curiosidade, ele desviava os olhos. Pensei que o homem estivesse se perguntando: “Onde essa menina acha que vai com tantas blusas e com essa touca horrorosa?”. Mas não.

Depois de me observar por alguns minutos, resmungou. “Tá frio, né?” Como ele falou muito baixo, eu fingi que o papo não era comigo. Mas ele não desistiu e falou a mesma frase novamente.

Eu respondi: “É.”

O cobrador não se contentou e continuou o monólogo. “Percebeu que eu fiquei te olhando? É que você se parece com uma minha amiga Julia, que mora em Guarulhos.”

Eu: “Ah, é?”

Ele: “É, morei lá por muitos anos…”

Logo saquei que o cara estava querendo conversar com alguém e contar sua vida toda. Por incrível que pareça, pessoas estranhas fazem isso comigo quase todos os dias, quando estou no ônibus ou esperando o latão no terminal.

Depois de contar sobre sua trajetória de Guarulhos a Jundiaí, ele me perguntou o que eu fazia da vida. Eu contei (aff, contei da minha vida para o cobrador!).

Como o papo fluiu, perguntei se ele havia nascido em São Paulo. “Não, sou nordestino. Nasci em Alagoas.” Confesso que já desconfiava por causa do sotaque.

Isso atiçou a minha curiosidade e me fez lembrar de muita coisa. O cara nasceu lá e veio pra SP com um tio aos 16 anos em busca de emprego. “Agradeço essa terra todos os dias. Se eu continuasse no nordeste, morreria de fome.”

A história dele é idêntica a muitas que eu ouvi no ano passado, por causa do meu TCC. Eu e minhas amigas produzimos um documentário chamado ‘Enraizados’, que trata da migração de nordestinos para Jundiaí e Várzea Paulista. Acho que não contei nada sobre isso no blog porque eu estava esgotada e não queria nem ouvir falar sobre esse assunto.

No fim das contas, eu contei a ele sobre o doc e prometi uma cópia. Ele ficou feliz e agradeceu. “Se eu não estiver no ônibus, manda entregar para o Ceará.”

Eu danço

•Junho 28, 2009 • 3 Comentários

Sempre tive vontade de fazer aulas de dança de salão, mas nunca tomei a iniciativa de dar o primeiro passo. Em março, eu ganhei essa chance de presente de aniversário. Eu tinha um mês para ver se gostava ou não.

Bom, já estamos quase no mês de julho e eu continuo indo. Tudo bem que eu faltei alguns dias por causa da minha vida boêmia, mas eu não desisti. Na última sexta-feira, ouvi de um dos meninos que dançam com quem não tem um parzinho – tipo eu – que já estou ‘profissa’. Sei que foi exagero da parte dele. Acho que foi para animar a aluna desengonçada, mas valeu. Ao menos, ele me animou ainda mais.

Nas primeiras aulas, achei que fosse a treva. Eu não processava tantas informações ao mesmo tempo, pois entrei numa turma que já estava fazendo aulas há dois meses. Pé pra lá, a mão que tem que ficar no lugar certo, a marcação de passo no “tic tic tum”… Bom, depois de muito tentar, eu peguei o jeito.

Agora, tô até pensando em largar as aulas de francês para dançar mais durante a semana. Eu descobri que não tenho saco para falar daquele jeito bonito. Acho que vou dar adeus ao sonho de ouvir Amélie falando sem ter que ler o significado das palavras na legenda.

Bom, mas esse papo do francês é outra história. Segunda-feira eu tenho prova e acho que isso está me deixando um tanto preocupada e com vontade de fugir daquela professora louca e das palavras chiques. A língua é linda, mas é muito difícil. Não sei o que será de mim…

 

Aff, que post mais “querido diário”

Ensaio

•Junho 24, 2009 • 1 Comentário

Sinto falta de postar aqui, mas por vários motivos acho que minha criatividade anda em baixa… Neste mês, o blog fará um ano e eu não queria deixar isso passar em branco. Sei que agora ele amarga um período difícil, de uma tenebrosa decadência. Mas isso vai mudar – eu acho.

Infelizmente, posto hoje uma notícia ruim. Um colega de trabalho faleceu no último final de semana e ninguém sabe o que aconteceu. Latrocínio ou acidente? Seja lá o que for, vai ficar a saudade, o respeito e uma dúvida: até quando a gente terá que conviver com notícias como essa, que nos deixam com vontade de desistir de tudo?

Quando eu era mais nova, comprava todos os meses a revista ‘Capricho’. O Antônio Prata, que hoje é colunista do Estadão (se eu não me engano), escrevia colunas maravilhosas na última página. Teve uma, escrita em 2003, na qual ele falava sobre a morte de uma amiga. Essa eu guardei, porque o texto é muito bom. Uma coisa que eu nunca vou esquecer que ele escreveu lá é a frase “Quando um jovem morre, dá vontade de devolver ao universo o bilhete de entrada.”

É assim que eu me sinto…

Flickr

•Maio 4, 2009 • Deixe um comentário

Pessoal, ando sem inspiração e não tenho muitas histórias para postar aqui. Estou atualizando o flickr com mais frequência. O endereço é http://www.flickr.com/photos/osolhosdalua/

 beijos, inté

Poema em linha Reta

•Abril 3, 2009 • 1 Comentário

Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


89

•Abril 2, 2009 • 3 Comentários

“Nossa, como seu rosto é bonito. Eu também já fui jovem como você. Todos diziam que meu rosto parecia ser feito de porcelana… É minha filha, hoje a porcelana se foi. Veja como estou velha, estou feia! Meu Deus… olhe essa foto. Eu já ganhei um concurso de beleza, sabia? E hoje estou assim…”
É. Foi assim que uma senhora me recepcionou hoje em sua casa, quando fui fazer uma reportagem sobre o aniversário de seu marido. O rosto dela, marcado pelas rugas, tinha muito blush e base. A sobrancelha contornada por lápis marrom e a boca vermelha, cheia de batom. “Se você me encontrar sem maquiagem, não vai gostar muito. A gente envelhece e isso é triste…” O reboque no rosto era apenas um dos sinais da vaidade da senhora, que completará 89 anos em abril.
Ela contou que faz questão de vestir-se bem, como se sempre tivesse um compromisso importante. “Eu acho que é isso que a mantém em pé. Ela acorda, se arruma… Os anos passaram, mas ela continua vaidosa”, disse um de seus filhos.
Não são apenas as rugas no rosto que ela faz questão de lembrar que não gosta. “Seu cabelo é natural ou você pintou? A cor é tão bonita… Veja só, o meu está caindo”, lamentou ela, que não pôde ouvir a minha resposta porque não escuta muito bem.
Ela me mostrou dezenas de fotos e a todo momento interrompia a entrevista que eu tentava fazer com o marido dela e com um de seus filhos.  Em um de seus cortes, ela perguntou. “Quantos anos você tem?” Eu respondi que tenho 23… “Ah… está na flor da idade. Quem me dera ter 23 anos novamente. Por isso, minha filha, aproveite… Mas aproveite de verdade. Faça o que tiver que fazer, viva sua vida. Aproveite cada dia… Um dia, você vai olhar para trás, assim como eu olho sempre, e vai sentir saudades. A pele de porcelana acaba antes mesmo do que você pensa…”
Tudo o que ela me falou durante a visita me fez pensar em um monte de coisas. A senhora também plantou uma dúvida na minha cabeça… Será que, se eu chegar aos 89 anos, ficarei tão chateada pelo fato de o tempo ter passado?
Tomara que não.